Pular para o conteúdo principal

As palavras podem ferir tanto quanto um tapa na cara

    O assunto da semana com toda certeza é sobre a situação nada agradável que aconteceu no Oscar 2022.
    Chris Rock após fazer uma piada sobre a calvície da atriz Jada Pinkett Smith que sofre de uma doença chamada alopecia, levou um tapa na cara do ator Will Smith que não conteve sua raiva ao defender a esposa.
    Um acontecimento inesperado para a festa mais glamurosa e aguardada por todo o mundo para a celebração do cinema mundial e que roubou os holofotes do que realmente importava na premiação.
    O que mais entrou em debate nas redes sociais foi sobre quem estava certo e quem estava errado sobre este ocorrido.
Todos que estão de fora cogitam atitudes que deveriam ter sido tomadas com muita facilidade e sabem exatamente o que deveria ter sido feito se estivessem no lugar do ator. Teriam tido uma atitude muito mais civilizada na base do diálogo.
    A violência com toda certeza não é uma opção para combatermos aquilo que nos incomoda, e Will Smith agiu impulsivamente de forma inadequada. No seu discurso após ganhar sua premiação, demonstrou o quanto estava arrependido e pediu desculpa a todos embora o estrago já tivesse sido feito.
    Em contrapartida, zombar de alguém por causa de sua aparência, e expor essa pessoa ao ridículo na frente de milhares de pessoas também não foi uma atitude nada legal.
    Até que ponto as piadas e falas engraçadas devem ser aplaudidas pela grande maioria às custas dos sentimentos de alguém?
    Quando se trata do corpo do outro, cabe somente a ele fazer comentários que ache necessário, e as pessoas precisam ser conscientizadas a conterem suas falas desnecessárias, disfarçadas de “piadinhas” “sem a intenção de magoar.”
    Will Smith não teve uma atitude correta com toda certeza, que foi causada após uma atitude também desagradável do comediante Chris Rock. Ambos erraram e feio.

    O que podemos aprender com tudo isso?

    Que precisamos tomar cuidado com as palavras, pois elas podem ferir tanto quanto um tapa na cara.


Ilustração: @nft__only_rare


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Bipolaridade na maternidade

  A maternidade é intensa. Ela é cheia de emoções que se misturam todos os dias. Quando se é mãe e também se convive com a bipolaridade essa jornada ganha ainda mais desafios. Existem dias em que a energia transborda: a criatividade, o carinho, a disposição para brincar e estar presente parecem infinitos. Em outros, levantar da cama já é uma grande vitória. Essas oscilações não significam falta de amor pelo filho, muito pelo contrário: cada esforço silencioso, cada pequeno gesto, cada tentativa em meio ao cansaço e à dor são provas diárias de um amor imenso e corajoso. A maternidade para quem vive com bipolaridade é feita de batalhas invisíveis. São lutas internas que ninguém vê, mas que exigem força, resiliência e, principalmente, muita compaixão consigo mesma. Nem sempre é fácil pedir ajuda. Nem sempre é simples explicar que o silêncio, o cansaço ou a falta de ânimo não têm nada a ver com desistência ou falta de vontade — são apenas parte de uma condição que precisa ser respeitad...

Você não está parada. Você está sustentando uma infância."

  Você não está parada. Você está sustentando uma infância." Essa frase o ChatGPT escreveu pra mim depois que eu desabafei sobre as dificuldades de ser mãe em tempo integral, sem rede de apoio. E eu confesso: ela me impactou profundamente. É grandioso o que uma mãe faz por um filho — mas, infelizmente, nem sempre é visto ou valorizado como deveria. A primeira infância é uma fase repleta de aprendizados. Para que uma criança se desenvolva bem, ela precisa de suporte. Precisa de alguém que seja sua base, que esteja disponível para cuidar, orientar e garantir suas necessidades básicas. E, na maioria das vezes, essa pessoa é a mãe. A mãe que abdica de trabalhar fora para cuidar do filho não está parada. Ela está sustentando a fase mais importante da vida dele — aquela que irá influenciar toda a sua vida adulta. A mãe que fica em casa, cuidando dos afazeres domésticos, do dever de casa, da rotina do lar, não está parada. Ela está assumindo tarefas importantíssimas que ninguém mais fari...

HQ: Persépolis

     Persépolis é uma história em quadrinhos autobiográfica sobre a autora Marjane Satrapi. Ela relata sobre o contexto do seu país de origem Irã, e o momento que ela e sua família viveram. No início de 1979 a revolução iraniana lançou o país nas trevas do regime xiita, o que levou muitas pessoas à morte e à perda da liberdade de expressão.      Marjane foi uma criança que viveu a transição de um país ocidentalizado para um país fundamentalista. Ela estudava em uma escola laica de educação francesa que foi obrigada a se adaptar a imposições do governo e da religião. As meninas foram separadas dos meninos e foram obrigadas a usar o véu.      Os pais de Marjane sempre incentivaram a filha a estudar, a ter opinião própria e a lutar pelos seus sonhos. Perceberam então que o melhor para ela  era ficar longe de todo esse conflito, a enviaram então aos 14 anos para a Europa. Sozinha, Marjane precisou se adaptar a outra cultura e passou por muit...