Pular para o conteúdo principal

A família nasceu no coração de DEUS

Meus pais são pessoas simples com pouca escolaridade e possuem limitações de aprendizado. Eles são casados há 31 anos e tiveram somente eu de filha. Eu já nasci com a grande responsabilidade de cuidar deles. Enquanto criança, muitas pessoas da família ajudaram eles a cuidarem de mim. 

Quando eu era adolescente tentava auxiliá-los mesmo sem ter maturidade para isso. Nós três eramos vistos por muita gente como pessoas desprezíveis. Eu já percebi olhares tortos para mim e meus pais, seja na saída da escola, em festas de aniversários, casamentos e em reuniões com pessoas da parentela. Eu já percebi muita gente rindo do nosso jeito de ser e da nossa maneira simples de viver.

Meu pai sempre trabalhou, tem sua casa própria com mais duas casas de aluguel e eu também sempre trabalhei. Meu primeiro emprego foi aos 15 anos. E eu fazia questão de ajudar a minha mãe mesmo ganhando pouco na época. Minha mãe teve somente um emprego na vida, mas nunca precisou depender de ninguém para as suas coisas. Afinal ela tem sua casa própria e seu marido que sempre trabalhou também e suas casas de aluguel.

Mas muitos insistiam em dizer que nós eramos três "coitados". Pessoas essas que ficavam de olho no que era nosso. Pessoas hipócritas e invejosas do pouco que nós tínhamos.

Pessoas que nunca gostaram da gente e se faziam de "amigas", para se aproveitar da nossa ingenuidade e usufruir do que era nosso por direito.

Quando eu casei, eu sabia que talvez seria um problema morar perto dos meus pais, porém a voz da minha avó materna Dona Josefa (já falecida) não saia da minha cabeça: "Zelinha, você tem que cuidar dos seus pais, eles só tem você de filha.”

E de fato eu tentei cuidar deles enquanto morava perto. Mas infelizmente aconteciam muitos problemas que perturbam a minha paz. Devido a minha imaturidade, nós três sempre entravamos em grandes conflitos. Eu não sabia como cuidar dos meus pais da maneira certa.

Depois que o meu filho nasceu, eu precisei sair de perto deles para conseguir cuidar com tranquilidade do meu filho, do meu marido e da minha casa.

Hoje eu compreendo através da sabedoria vinda de Deus o quanto era necessário eu sair do ninho. Pois somente quando a gente voa para longe dos pais é que podemos crescer e amadurecer.

Neste tempo distante, Deus foi me ensinando dia após dia que eu precisava aceitar os meus pais como eles realmente são. E que e mudança precisava começar dentro de mim. Quando eu permiti Deus transformar a minha maneira de pensar e agir, as coisas começaram a melhorar entre nós.

Pela graça e misericórdia de Deus, hoje eu os vejo como nosso Pai Celestial sempre os enxergou: Eles são pessoas boas, simples e sem maldade no coração.

E Deus me trouxe a este mundo para cuidar deles da maneira que é do seu agrado: com amor e respeito.

A chegada do meu filho Gabriel marcou um novo tempo. Através da vida dele, nosso Pai tem nos ensinado o poder do seu amor e da sua Palavra. Poder esse que é capaz de transformar nossas mentes e corações para que vivamos os Sonhos dEle em nossas vidas.

Obrigada Deus por sua infinita graça, amor e misericórdia por todos nós.

A minha família é um lindo milagre e Jesus Cristo nosso Salvador

Texto: @giselesertao @afagodemaeoficial






Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Bipolaridade na maternidade

  A maternidade é intensa. Ela é cheia de emoções que se misturam todos os dias. Quando se é mãe e também se convive com a bipolaridade essa jornada ganha ainda mais desafios. Existem dias em que a energia transborda: a criatividade, o carinho, a disposição para brincar e estar presente parecem infinitos. Em outros, levantar da cama já é uma grande vitória. Essas oscilações não significam falta de amor pelo filho, muito pelo contrário: cada esforço silencioso, cada pequeno gesto, cada tentativa em meio ao cansaço e à dor são provas diárias de um amor imenso e corajoso. A maternidade para quem vive com bipolaridade é feita de batalhas invisíveis. São lutas internas que ninguém vê, mas que exigem força, resiliência e, principalmente, muita compaixão consigo mesma. Nem sempre é fácil pedir ajuda. Nem sempre é simples explicar que o silêncio, o cansaço ou a falta de ânimo não têm nada a ver com desistência ou falta de vontade — são apenas parte de uma condição que precisa ser respeitad...

Você não está parada. Você está sustentando uma infância."

  Você não está parada. Você está sustentando uma infância." Essa frase o ChatGPT escreveu pra mim depois que eu desabafei sobre as dificuldades de ser mãe em tempo integral, sem rede de apoio. E eu confesso: ela me impactou profundamente. É grandioso o que uma mãe faz por um filho — mas, infelizmente, nem sempre é visto ou valorizado como deveria. A primeira infância é uma fase repleta de aprendizados. Para que uma criança se desenvolva bem, ela precisa de suporte. Precisa de alguém que seja sua base, que esteja disponível para cuidar, orientar e garantir suas necessidades básicas. E, na maioria das vezes, essa pessoa é a mãe. A mãe que abdica de trabalhar fora para cuidar do filho não está parada. Ela está sustentando a fase mais importante da vida dele — aquela que irá influenciar toda a sua vida adulta. A mãe que fica em casa, cuidando dos afazeres domésticos, do dever de casa, da rotina do lar, não está parada. Ela está assumindo tarefas importantíssimas que ninguém mais fari...

HQ: Persépolis

     Persépolis é uma história em quadrinhos autobiográfica sobre a autora Marjane Satrapi. Ela relata sobre o contexto do seu país de origem Irã, e o momento que ela e sua família viveram. No início de 1979 a revolução iraniana lançou o país nas trevas do regime xiita, o que levou muitas pessoas à morte e à perda da liberdade de expressão.      Marjane foi uma criança que viveu a transição de um país ocidentalizado para um país fundamentalista. Ela estudava em uma escola laica de educação francesa que foi obrigada a se adaptar a imposições do governo e da religião. As meninas foram separadas dos meninos e foram obrigadas a usar o véu.      Os pais de Marjane sempre incentivaram a filha a estudar, a ter opinião própria e a lutar pelos seus sonhos. Perceberam então que o melhor para ela  era ficar longe de todo esse conflito, a enviaram então aos 14 anos para a Europa. Sozinha, Marjane precisou se adaptar a outra cultura e passou por muit...