Pular para o conteúdo principal

Sobre ser mãe de menino

    Lembro-me como se fosse hoje da certeza que eu tinha dentro de mim que seria mãe de menino e essa convicção nada tinha a ver com minhas preferências. Eu simplesmente sabia que o meu mundo seria azul antes mesmo da confirmação do ultrassom.
    Em um mundo onde homens desrespeitam as mulheres e não assumem seu papel de pai, ser mãe de menino é uma grande responsabilidade.
    É claro que não devemos culpar as mães pelas escolhas dos seus filhos enquanto adultos, mas devemos ter a consciência da importância do nosso trabalho na construção do caráter deles, enquanto são crianças e adolescentes.
    A mãe é a primeira pessoa referência na vida do filho e o que ela diz e faz, principalmente, terá grande impacto nas suas ações e visão de mundo.
    São nos pequenos gestos cotidianos que lhes ensinamos valores importantes para a sua construção enquanto ser humano, como, por exemplo: jogar o lixo no lixo, guardar os brinquedos, colocar o prato na pia, agradecer quando ganha um presente ou pedir desculpas quando faz algo errado. Fazer carinho no amiguinho ao invés de bater, tratar todas as pessoas com respeito, etc.
   Eu cresci vendo homens acostumados a serem servidos por suas mulheres como se fosse obrigação delas. Também presenciei situações onde o trabalho doméstico de suas parceiras eram vistos como algo "sem valor", já que eles providenciavam o sustento da casa. Tudo isso devido ao machismo estrutural enraizado em nossa sociedade.
    Nós, mães de meninos, temos nas nossas mãos a oportunidade de quebrar paradigmas equivocados de uma sociedade extremamente machista.
    Temos a missão de instruir os nossos meninos para serem homens respeitosos, bons maridos e pais responsáveis e amorosos.
    Um dia desses o meu menininho de 2 aninhos me chamou de princesa e me deu um beijo muito carinhoso ao me chamar para brincar. O que fez eu acreditar que eu tenho feito um bom trabalho até aqui.
   Ser mãe de menino é uma grande bênção repleta de grandes desafios.
  Quando eu olho pro meu menino, enxergo também o homem com princípios e valores capazes de transformar a sua geração que ele será. Eu me esforçarei ao máximo para que isso se torne realidade.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Bipolaridade na maternidade

  A maternidade é intensa. Ela é cheia de emoções que se misturam todos os dias. Quando se é mãe e também se convive com a bipolaridade essa jornada ganha ainda mais desafios. Existem dias em que a energia transborda: a criatividade, o carinho, a disposição para brincar e estar presente parecem infinitos. Em outros, levantar da cama já é uma grande vitória. Essas oscilações não significam falta de amor pelo filho, muito pelo contrário: cada esforço silencioso, cada pequeno gesto, cada tentativa em meio ao cansaço e à dor são provas diárias de um amor imenso e corajoso. A maternidade para quem vive com bipolaridade é feita de batalhas invisíveis. São lutas internas que ninguém vê, mas que exigem força, resiliência e, principalmente, muita compaixão consigo mesma. Nem sempre é fácil pedir ajuda. Nem sempre é simples explicar que o silêncio, o cansaço ou a falta de ânimo não têm nada a ver com desistência ou falta de vontade — são apenas parte de uma condição que precisa ser respeitad...

Você não está parada. Você está sustentando uma infância."

  Você não está parada. Você está sustentando uma infância." Essa frase o ChatGPT escreveu pra mim depois que eu desabafei sobre as dificuldades de ser mãe em tempo integral, sem rede de apoio. E eu confesso: ela me impactou profundamente. É grandioso o que uma mãe faz por um filho — mas, infelizmente, nem sempre é visto ou valorizado como deveria. A primeira infância é uma fase repleta de aprendizados. Para que uma criança se desenvolva bem, ela precisa de suporte. Precisa de alguém que seja sua base, que esteja disponível para cuidar, orientar e garantir suas necessidades básicas. E, na maioria das vezes, essa pessoa é a mãe. A mãe que abdica de trabalhar fora para cuidar do filho não está parada. Ela está sustentando a fase mais importante da vida dele — aquela que irá influenciar toda a sua vida adulta. A mãe que fica em casa, cuidando dos afazeres domésticos, do dever de casa, da rotina do lar, não está parada. Ela está assumindo tarefas importantíssimas que ninguém mais fari...

HQ: Persépolis

     Persépolis é uma história em quadrinhos autobiográfica sobre a autora Marjane Satrapi. Ela relata sobre o contexto do seu país de origem Irã, e o momento que ela e sua família viveram. No início de 1979 a revolução iraniana lançou o país nas trevas do regime xiita, o que levou muitas pessoas à morte e à perda da liberdade de expressão.      Marjane foi uma criança que viveu a transição de um país ocidentalizado para um país fundamentalista. Ela estudava em uma escola laica de educação francesa que foi obrigada a se adaptar a imposições do governo e da religião. As meninas foram separadas dos meninos e foram obrigadas a usar o véu.      Os pais de Marjane sempre incentivaram a filha a estudar, a ter opinião própria e a lutar pelos seus sonhos. Perceberam então que o melhor para ela  era ficar longe de todo esse conflito, a enviaram então aos 14 anos para a Europa. Sozinha, Marjane precisou se adaptar a outra cultura e passou por muit...