Pular para o conteúdo principal

Existe um propósito na sua dor

 Esses dias eu li o seguinte trecho de um livro:

"Uma transformação sem esforço nem dor, sem sofrimento, sem uma sensação de perda, é apenas uma ilusão de verdadeira mudança."

Ele me fez refletir sobre as dores da maternidade:


As incessantes contrações de parto causam dores que não podem ser mensuradas por qualquer tentativa de explicação;

A amamentação que arranca lágrimas de dor indescritíveis por longos dias até que o bebê consiga fazer a pega correta;

As cólicas do bebê  cortam o coração da mãe que já tentou de tudo para que elas cessarem em vão;

As vacinas que  doem muito mais nela que não suporta ver seu filho sofrer mesmo que seja para o seu bem;

A adaptação a nova rotina, o puerpério,  a solidão e perca da própria identidade doem no íntimo desta mulher no dia para noite se tornou mãe;

A perca de disponibilidade de tempo para dormir,  tomar um banho tranquilo, sair, se cuidar e fazer coisas que gosta doem naquela que antes de mãe é um ser humano com desejos e necessidades individuais;

As febres e resfriados, tombos e decepções do filho doem nais na mãe do que qualquer outra dor física que ela tenha sentido na vida (inclusive o parto), este que ela achava ingenuamente ser a pior de todas as dores.

A maternidade dói por esses e tantos outros motivos que não caberiam aqui neste texto.

Toda dor  machuca, incomoda, e dilacera nosso ser. Mas toda dor tem um propósito que quando alcançado faz com que ela perca a sua relevância.

Quando a mãe pega seu bebê nos braços pela  primeira vez já não lembra mais das dores de parto que pareciam-lhe destruir. Quando o bebê está imune à doenças graves graças às vacinas, as picadinhas que o fizeram chorar também são esquecidas.

As dores embora sejam indesejáveis são responsáveis por nossa transformação.

Elas que são tão desconfortáveis, mas tão necessárias para o nosso crescimento.

Essas dores que pareciam ter o poder de nos derrubar, mas que nos tornam mais fortes.

Elas que nos fazem  alcançar sabedoria, aprendizado e amadurecimento.

Elas que nos levam ao verdadeiro propósito de vida.

Elas que após vencidas fazem valer toda a nossa trajetória percorrida.


Texto: @giselesertao @afagodemaeoficial


Arte: @spiritysol


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Bipolaridade na maternidade

  A maternidade é intensa. Ela é cheia de emoções que se misturam todos os dias. Quando se é mãe e também se convive com a bipolaridade essa jornada ganha ainda mais desafios. Existem dias em que a energia transborda: a criatividade, o carinho, a disposição para brincar e estar presente parecem infinitos. Em outros, levantar da cama já é uma grande vitória. Essas oscilações não significam falta de amor pelo filho, muito pelo contrário: cada esforço silencioso, cada pequeno gesto, cada tentativa em meio ao cansaço e à dor são provas diárias de um amor imenso e corajoso. A maternidade para quem vive com bipolaridade é feita de batalhas invisíveis. São lutas internas que ninguém vê, mas que exigem força, resiliência e, principalmente, muita compaixão consigo mesma. Nem sempre é fácil pedir ajuda. Nem sempre é simples explicar que o silêncio, o cansaço ou a falta de ânimo não têm nada a ver com desistência ou falta de vontade — são apenas parte de uma condição que precisa ser respeitad...

Você não está parada. Você está sustentando uma infância."

  Você não está parada. Você está sustentando uma infância." Essa frase o ChatGPT escreveu pra mim depois que eu desabafei sobre as dificuldades de ser mãe em tempo integral, sem rede de apoio. E eu confesso: ela me impactou profundamente. É grandioso o que uma mãe faz por um filho — mas, infelizmente, nem sempre é visto ou valorizado como deveria. A primeira infância é uma fase repleta de aprendizados. Para que uma criança se desenvolva bem, ela precisa de suporte. Precisa de alguém que seja sua base, que esteja disponível para cuidar, orientar e garantir suas necessidades básicas. E, na maioria das vezes, essa pessoa é a mãe. A mãe que abdica de trabalhar fora para cuidar do filho não está parada. Ela está sustentando a fase mais importante da vida dele — aquela que irá influenciar toda a sua vida adulta. A mãe que fica em casa, cuidando dos afazeres domésticos, do dever de casa, da rotina do lar, não está parada. Ela está assumindo tarefas importantíssimas que ninguém mais fari...

30 anos, a idade do sucesso.

 Dizem que 30 anos é a idade do sucesso. Mas o que é considerado sucesso para uns pode não ser considerado sucesso para outros. Eu já vi gente ficar frustrado porque a vida do outro parece ser mais legal. Eu já vi gente ficar depressiva porque não tem a vida instagramavel que muitos postam na rede social. Mas afinal, o que é sucesso pra você? E pra mim? Eu tenho 33 anos e não tenho minha casa própria, nem carro. Também não tenho uma profissão bem sucedida e nunca fiz uma viagem internacional. Pra muitos isso pode ser considerado um fracasso. Pra mim o sucesso vai além dos padrões convencionais: Aos 23 anos eu tive a sorte de me casar com o amor da minha vida. Alguém que me compreende, me completa e me faz feliz. Aos 24 anos me formei em uma graduação que não me deu retorno financeiro (Publicidade e Propaganda) mas que me fez muito feliz enquanto a cursei.  Aos 27 anos me tornei mãe de um menininho lindo. É ele que me motiva todos os dias a jamais desistir. Eu tive o privilégio...