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Sobre ser mulher e a culpabilização da sociedade

    Nesses últimos dias dois casos de estupros foram alvos de discussões e opiniões nas redes sociais:
    Uma menina de 11 anos violentada fez o aborto da gestação e muitos criticaram dizendo: "Melhor seria dar pra adoção."
    Uma jovem atriz de 21 anos também abusada sexualmente engravidou e deu o bebê para adoção, foi acusada de abandono de incapaz e foi questionada do porque não ficou com a criança.
    Ambos os casos revelam a hipocrisia de uma sociedade que pouco se importa com a mulher e seus direitos.
    O que existe é a preocupação constante com que ela veste, como ela pensa, com quem ela anda, o que ela faz ou deixa de fazer.
    Questionamentos e apontamentos esses são frequentes quando o alvo é o sexo feminino, sejam elas vítimas de estupro ou não. Já os homens? Estes fazem o que bem entendem: agridem, ofendem, abusam, matam, abandonam seus filhos e tá tudo bem. Afinal é isso que se espera deles mesmo.
    Mas a mulher não, dela a sociedade espera uma conduta e um comportamento "adequado" digno de uma mulher de "valor".
    Esta mesma sociedade que possui valores invertidos e está repleta de hipocrisias e demagogias. Que trata com distinção seres humanos simplesmente por conta do sexo, classe social ou até mesmo a cor da pele.
    A vida, o corpo, e as ações de qualquer indivíduo deveriam caber somente a ele e mais ninguém. Mas infelizmente enquanto houver os juízes da vida alheia sempre vai haver julgamentos e massacres virtuais.
    E os sentenciados, sem direito à defesa neste banco de réus da Internet e do mundo real?
Infelizmente são sempre as mulheres.

Arte: daniellepioliart





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