Pular para o conteúdo principal

O que ninguém me contou sobre a maternidade...

Ninguém me contou que quando um bebê nasce não sentimos aquele amor avassalador de cenas de novelas, e que ele é construído diariamente através da relação mãe e filho;


Ninguém me contou que não nos sentimos plenas e felizes simplesmente porque demos à luz à um bebê. Vai ter dias de choro, tristeza, solidão, exaustão e angústia o que não significa  que não amamos nosso filho;


Ninguém me contou que aquela atenção toda recebida pelos demais na gravidez desaparece e é substituída por julgamentos e distanciamentos. Infelizmente algumas pessoas se afastam  e já não se fazem mais presentes na vida dessa recém mãe;


Ninguém me contou que a maternidade dói. Dói quando vemos nosso bebê sofrendo de cólica, quando ele precisa tomar vacina ou quando está ardendo em febre. Dói também saber que jamais poderemos poupá-lo dos sofrimentos inevitáveis ao longo de sua vida;


Ninguém me contou que o mercado de trabalho é cruel com as mães. Ele as exclui, as ignora e as descredibiliza simplesmente por terem filho. A vida profissional de uma mãe possui muitas desvantagens que uma mulher sem filhos com toda certeza desconhece;


Ninguém me contou que a sociedade julga a mãe que fica em casa como alguém sem valor, alguém que não faz quase nada e fica de "boas" enquanto somente o marido "trabalha" de verdade;


Ninguém me contou o quanto a mulher é sobrecarregada por inúmeras funções que são vistas como obrigações dela, já o homem nunca é cobrado pela sociedade caso não exerça o seu dever de pai;


Ninguém me contou que não importa o quanto a mãe se esforce, se dedique  e se anule para cuidar do seu filho, sempre vai ter gente achando que sabe mais do que a própria mãe da criança;


Ninguém me contou que embora seja muito desafiadora e complexa, a maternidade traz uma grande transformação na vida da mulher. Ela a transforma em alguém forte, corajosa e mais humana.


Ninguém me contou coisas que eu só descobri sendo de fato uma mãe. E mesmo que eu te conte tudo isso futura mãe, talvez você nem acredite tanto assim em mim, pois há experiências que nós precisamos vivenciar para então descobrirmos o que jamais saberíamos somente de ouvir falar.



Arte: @junejewell


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Bipolaridade na maternidade

  A maternidade é intensa. Ela é cheia de emoções que se misturam todos os dias. Quando se é mãe e também se convive com a bipolaridade essa jornada ganha ainda mais desafios. Existem dias em que a energia transborda: a criatividade, o carinho, a disposição para brincar e estar presente parecem infinitos. Em outros, levantar da cama já é uma grande vitória. Essas oscilações não significam falta de amor pelo filho, muito pelo contrário: cada esforço silencioso, cada pequeno gesto, cada tentativa em meio ao cansaço e à dor são provas diárias de um amor imenso e corajoso. A maternidade para quem vive com bipolaridade é feita de batalhas invisíveis. São lutas internas que ninguém vê, mas que exigem força, resiliência e, principalmente, muita compaixão consigo mesma. Nem sempre é fácil pedir ajuda. Nem sempre é simples explicar que o silêncio, o cansaço ou a falta de ânimo não têm nada a ver com desistência ou falta de vontade — são apenas parte de uma condição que precisa ser respeitad...

Você não está parada. Você está sustentando uma infância."

  Você não está parada. Você está sustentando uma infância." Essa frase o ChatGPT escreveu pra mim depois que eu desabafei sobre as dificuldades de ser mãe em tempo integral, sem rede de apoio. E eu confesso: ela me impactou profundamente. É grandioso o que uma mãe faz por um filho — mas, infelizmente, nem sempre é visto ou valorizado como deveria. A primeira infância é uma fase repleta de aprendizados. Para que uma criança se desenvolva bem, ela precisa de suporte. Precisa de alguém que seja sua base, que esteja disponível para cuidar, orientar e garantir suas necessidades básicas. E, na maioria das vezes, essa pessoa é a mãe. A mãe que abdica de trabalhar fora para cuidar do filho não está parada. Ela está sustentando a fase mais importante da vida dele — aquela que irá influenciar toda a sua vida adulta. A mãe que fica em casa, cuidando dos afazeres domésticos, do dever de casa, da rotina do lar, não está parada. Ela está assumindo tarefas importantíssimas que ninguém mais fari...

30 anos, a idade do sucesso.

 Dizem que 30 anos é a idade do sucesso. Mas o que é considerado sucesso para uns pode não ser considerado sucesso para outros. Eu já vi gente ficar frustrado porque a vida do outro parece ser mais legal. Eu já vi gente ficar depressiva porque não tem a vida instagramavel que muitos postam na rede social. Mas afinal, o que é sucesso pra você? E pra mim? Eu tenho 33 anos e não tenho minha casa própria, nem carro. Também não tenho uma profissão bem sucedida e nunca fiz uma viagem internacional. Pra muitos isso pode ser considerado um fracasso. Pra mim o sucesso vai além dos padrões convencionais: Aos 23 anos eu tive a sorte de me casar com o amor da minha vida. Alguém que me compreende, me completa e me faz feliz. Aos 24 anos me formei em uma graduação que não me deu retorno financeiro (Publicidade e Propaganda) mas que me fez muito feliz enquanto a cursei.  Aos 27 anos me tornei mãe de um menininho lindo. É ele que me motiva todos os dias a jamais desistir. Eu tive o privilégio...