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É preciso conhecer a fome para saber descrevê-la”.

    Passando pelo bairro São Mateus, na zona leste de São Paulo, avistei a ocupação Maria Carolina de Jesus. Lembrei-me imediatamente da realidade sofrida por Dona Carolina. Eu a conheci através de seu livro: Quarto de Despejo- o diário de uma favelada no início deste ano.

    Conheci de perto  através de Carolina  uma das piores mazelas deste mundo: a fome. Essa  era sua companheira diária. Era também o motivo dela trabalhar catando papel fizesse sol ou chuva para que seus meninos pudessem se alimentar.

 Ela era uma crítica assídua dos governantes que pouco faziam pelos mais desfavorecidos: “O que eu aviso aos pretendentes a política, é que o povo não tolera a fome. É preciso conhecer a fome para saber descrevê-la”.

 De alma poeta, ela escrevia sobre a miséria dos favelados, ela odiava os políticos pois eles sempre prometiam mundos e fundos nas eleições e depois que ganhavam desapareciam, deixando assim os pobres a  ver navios.

  Ela dizia: “O Brasil precisa ser dirigido por uma pessoa que já passou fome. A fome também é professora. Quem passa fome aprende a pensar no próximo, e nas crianças”, ela sim sabia das coisas.

    Seu livro foi escrito na década de 60, e pelo visto não houve muitos progressos de lá pra cá. O povo continua passando necessidade, muitas pessoas estão sem moradia, e muitas mães solteiras continuam vivendo em condições sanitárias precárias e mal conseguem um sustento digno para alimentar seus filhos assim como era a vida de Carolina.

    Se estivesse entre nós e  avistasse a ocupação que leva seu nome nos dias atuais, com toda certeza  ela diria: “Levantei nervosa. Com vontade de morrer. Já que os pobres estão mal colocados, para que viver? Será que os pobes de outro país sofrem igual aos pobres do Brasil?”.

      Deus é que sabe Dona Carolina. Que Ele continue zelando pelos seus. Pois Ele sim tem compaixão por seus filhos, principalmente os que mais carecem de  sua misericórdia.

Texto: @giselesertao @afagodemaeoficial





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