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A força e a fraqueza da maternidade

    A maternidade traz à tona nossas maiores vulnerabilidades. A vaidade é deixada de lado e faz com que nós não reconheçamos nosso próprio reflexo no espelho. A rotina agitada desaparece e é substituída por dias exaustivos que são dedicados a um serzinho completamente dependente dos nossos cuidados. As amizades se afastam, e a solidão torna- se uma fiel companheira. As relações pessoais mudam, pois o filho se torna a prioridade desta mulher que agora é  mãe e já não pode ser a mesma filha, amiga, ou esposa de antes. Até a nossa própria identidade se perde nesse turbilhão de sentimentos contraditórios, confusos e sombrios que faz com que nós questionemos quem  somos a partir de agora.     A maternidade potencializa as fragilidades que nós nem sabíamos que existiam até seguramos nosso filho nos braços. A maternidade faz com que revisitemos a nossa própria infância, que enxerguemos a nossa própria história sob uma nova perspectiva. Ela faz com  que compreendamos os nossos pais e nos faz acolher também a nossa criança interior que continua existindo dentro da gente.    A maternidade faz com que nós façamos uma autoanálise de nós mesmas, sobre nossos maus hábitos que precisam ser corrigidos, sobre a nossa forma de se comunicar, e sobre o legado que queremos deixar de exemplo para aquele que nos transformou em mãe.    A mesma maternidade que abala nossas "certezas", que nos fragiliza e nos amedronta é capaz  também de nos mostrar novos caminhos esclarecedores, de nos fortalecer e de nos encorajar.    A maternidade  nos faz chorar de exaustão,  tristeza e solidão. E também nos faz sorrir com cada obstáculo vencido, nos faz termos orgulho de nós mesmas e nos faz acreditar no quanto somos capazes de fazer e acontecer.

 A força e a fraqueza da maternidade são sinônimos e antônimos que racionalidade nenhuma explica. 

   A maternidade que a princípio nos deixa sem rumo tem o poder de nos colocar  na direção certa. Ela que possui tantas contradições é por vezes esclarecedora.

   Chego á conclusão que maternidade só pode ser coisa de gente doida.



Arte: @junejewell


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