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Cadê a mãe dessa criança?

    Muito antes de eu ter filho quando eu via alguma criança fazendo  birra em qualquer lugar  e não via imediatamente algum adulto por perto, eu pensava comigo mesma: “Cadê a mãe dessa criança?”     Hoje enquanto mãe com toda certeza mudei a minha maneira de enxergar situações como esta, mas refletindo sobre este meu pensamento do passado, percebo que ele é atual na cabeça de muita gente. Se uma criança faz bagunça,  se não está bem vestida, se está com o nariz escorrendo, se tira notas ruins na escola, seja lá qual for a situação  negativa que aconteça com ela, aos olhos dos demais o primeiro pensamento com toda certeza será : Cadê a mãe dessa criança?     Por mais que tentemos enfatizar a importância de atribuir ao pai as responsabilidades que lhe cabem, culturalmente a nossa sociedade responsabiliza a mãe por 90% dos cuidados com os filhos.   Se ela é mãe em tempo integral então? “Ahh com certeza o pai não tem tanta responsabilidade afinal ele trabalha e ela não.”     O trabalho dela é invisível, é sem remuneração e pouco valorizado pela sociedade em geral. E por mais que ela se desdobre em mil tarefas, se alguma falha mínima acontecer com qualquer coisa relacionada ao seu filho, a culpa é dela, óbvio.    Esse tipo de pensamento muito predominante na época das nossas avós em uma sociedade machista ao extremo, ainda possui resquícios nos dias de hoje. Percebemos isso em falas ditas sem “maldade”, ou olhares acusatórios que dizem mais que mil palavras.    Eu já pensei assim, você talvez já pensou ou ainda pense também, e não vai ser da noite pro dia que as pessoas vão pensar diferente. Mas ainda assim eu acredito que as coisas podem melhorar, que  a nossa dedicação aos nossos filhos seja vista com o valor que ela merece, e não seja desmerecida e criticada exigindo de nós uma “perfeição” inalcançável. 

Agora, antes de pensarmos,  cadê a mãe dessa criança?, nos perguntemos: Como será que está a mãe desta criança? Será que ela precisa de ajuda? Quando entendermos que cada um precisa cumprir o seu papel, não jogaremos tudo nas costas da mãe, que não é de ferro, mas é gente como a gente que precisa  de menos dedos apontados e muito mais acolhimento.




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