Pular para o conteúdo principal

Se a mulher muda após a gestação porque seu corpo deveria continuar igual?

    Quando eu estava grávida ouvi de alguém  que eu estava "gordinha". Embora eu tenha ficado com muita vontade de responder a altura, eu dei as costas e deixei a pessoa falando sozinha. Aquele comentário inconveniente me deixou indignada com toda certeza.
    Quando a mulher engravida ela tem a plena consciência de que vai engordar,  e um comentário deste chega a ser uma grande falta de bom senso.
   Seu corpo se torna lar de um novo ser. A saúde do seu filho é sua maior preocupação, já o peso que ela vai alcançar  é algo sem muita relevância.
   Cheguei a ouvir também que a minha barriga era "pequena demais ", "que não parecia estar de tantos meses", como se algo estivesse errado na minha gestação já que "esperavam" um tamanho maior de barriga de grávida.
    Mais uma vez pessoas dizendo o que acham sobre o corpo de uma mulher, sem ela ter pedido opinião alguma.
   Eu  não fiquei pensando muito sobre meu peso na gravidez e nem no pós parto, mas me incomodei muito em como a sociedade lida com o corpo da mulher. Questão essa  que não deveria caber a ninguém além dela mesma.
    Depois que o filho nasce o corpo leva tempo para voltar ao normal, e mesmo que o peso seja recuperado,  eu acredito que ele jamais será o mesmo de antes depois da gravidez. E quem disse que precisa ser?
    Se a mulher acha que precisa emagrecer e se sentir melhor assim, ótimo. Se ela está bem com uns quilos a mais ok também. Mas isso é algo muito particular. Não deve ser apontado e debatido em rodas de conversa na presença dela e muito menos na sua ausência.
   Nós precisamos aprender a amar nossos corpos mesmo com suas  imperfeições, porque foi através dele que geramos a vida de um novo ser, e isso não impede que possamos corrigir algumas gordurinhas que nos incomodem caso desejemos  também.
  Mas isso é da nossa conta e de mais ninguém. Sociedade, pedimos por gentileza que nos deixem em paz. Será que é pedir demais?

Texto:  @giselesertao @afagodemaeoficial 

Foto: @sophiemayanne


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Bipolaridade na maternidade

  A maternidade é intensa. Ela é cheia de emoções que se misturam todos os dias. Quando se é mãe e também se convive com a bipolaridade essa jornada ganha ainda mais desafios. Existem dias em que a energia transborda: a criatividade, o carinho, a disposição para brincar e estar presente parecem infinitos. Em outros, levantar da cama já é uma grande vitória. Essas oscilações não significam falta de amor pelo filho, muito pelo contrário: cada esforço silencioso, cada pequeno gesto, cada tentativa em meio ao cansaço e à dor são provas diárias de um amor imenso e corajoso. A maternidade para quem vive com bipolaridade é feita de batalhas invisíveis. São lutas internas que ninguém vê, mas que exigem força, resiliência e, principalmente, muita compaixão consigo mesma. Nem sempre é fácil pedir ajuda. Nem sempre é simples explicar que o silêncio, o cansaço ou a falta de ânimo não têm nada a ver com desistência ou falta de vontade — são apenas parte de uma condição que precisa ser respeitad...

Você não está parada. Você está sustentando uma infância."

  Você não está parada. Você está sustentando uma infância." Essa frase o ChatGPT escreveu pra mim depois que eu desabafei sobre as dificuldades de ser mãe em tempo integral, sem rede de apoio. E eu confesso: ela me impactou profundamente. É grandioso o que uma mãe faz por um filho — mas, infelizmente, nem sempre é visto ou valorizado como deveria. A primeira infância é uma fase repleta de aprendizados. Para que uma criança se desenvolva bem, ela precisa de suporte. Precisa de alguém que seja sua base, que esteja disponível para cuidar, orientar e garantir suas necessidades básicas. E, na maioria das vezes, essa pessoa é a mãe. A mãe que abdica de trabalhar fora para cuidar do filho não está parada. Ela está sustentando a fase mais importante da vida dele — aquela que irá influenciar toda a sua vida adulta. A mãe que fica em casa, cuidando dos afazeres domésticos, do dever de casa, da rotina do lar, não está parada. Ela está assumindo tarefas importantíssimas que ninguém mais fari...

HQ: Persépolis

     Persépolis é uma história em quadrinhos autobiográfica sobre a autora Marjane Satrapi. Ela relata sobre o contexto do seu país de origem Irã, e o momento que ela e sua família viveram. No início de 1979 a revolução iraniana lançou o país nas trevas do regime xiita, o que levou muitas pessoas à morte e à perda da liberdade de expressão.      Marjane foi uma criança que viveu a transição de um país ocidentalizado para um país fundamentalista. Ela estudava em uma escola laica de educação francesa que foi obrigada a se adaptar a imposições do governo e da religião. As meninas foram separadas dos meninos e foram obrigadas a usar o véu.      Os pais de Marjane sempre incentivaram a filha a estudar, a ter opinião própria e a lutar pelos seus sonhos. Perceberam então que o melhor para ela  era ficar longe de todo esse conflito, a enviaram então aos 14 anos para a Europa. Sozinha, Marjane precisou se adaptar a outra cultura e passou por muit...