Pular para o conteúdo principal

Não existe padrão "ideal" para amar

 Minha mãe é a filha caçula de 7 irmãos. Minha avó sempre teve preocupação maior com ela do que com os demais filhos, devido algumas dificuldades de aprendizado que ela apresentava desde a infância. Ela não teve   como ir atrás de um tratamento específico para a filha  devido às condições da época.
 Eu sou filha única e minha mãe precisou de bastante ajuda da família para cuidar de mim na minha primeira infância.
 Eu sempre estive rodeada de afeto familiar,  mas  algumas questões com a minha mãe foram bem difíceis pra mim até a adolescência. Devido seu comportamento bipolar ela não sabia lidar com suas próprias questões para ser o suporte que um filho precisa, e eu enquanto criança não entendia e até achava que talvez ela "não gostava tanto assim de mim".
   Eu projetava expectativas que ela não poderia suprir devido sua condição, e eu me comparava com as demais pessoas que tinham uma mãe "ideal". Eu  me sentia frustrada em ter uma mãe diferente.
  Ao ler esta  frase : "Tentar fazer os outros serem como você espera não é um ato de amor, é autoritarismo.", eu me peguei pensando em quantas vezes eu  fui autoritária em querer que a minha mãe se encaixasse em um padrão e não fosse exatamente como ela era.
 Desde que a  maternidade chegou na minha vida eu  passei a compreender melhor a minha mãe. Imagino o quanto deve ter sido difícil pra ela cuidar de uma filha sem uma boa estrutura psicológica e o quanto ela  deve ter sofrido por isso também.
 Hoje eu a aceito com as suas  limitações que na minha imaturidade juvenil eu queria que não existissem. Ela não tinha que ser a mãe que eu esperava e sim a mãe que ela conseguia ser.
  Deus foi certeiro em escolhê-la como minha mãe. Ele me trouxe ao mundo para ser a filha que ela precisava ter, para que o propósito dEle se cumprisse em nossas vidas.
 O amor que nos une é maior  que qualquer diferença ou limitação seja ela qual for. 

Obrigada Deus por me fazer enxergar hoje o que a muitos anos atrás era muito difícil pra mim entender.
Obrigada Deus pela vida da minha mãe.
Obrigada por ter me escolhido como filha da Dona Elisete.

Com amor,
Gisele






Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Bipolaridade na maternidade

  A maternidade é intensa. Ela é cheia de emoções que se misturam todos os dias. Quando se é mãe e também se convive com a bipolaridade essa jornada ganha ainda mais desafios. Existem dias em que a energia transborda: a criatividade, o carinho, a disposição para brincar e estar presente parecem infinitos. Em outros, levantar da cama já é uma grande vitória. Essas oscilações não significam falta de amor pelo filho, muito pelo contrário: cada esforço silencioso, cada pequeno gesto, cada tentativa em meio ao cansaço e à dor são provas diárias de um amor imenso e corajoso. A maternidade para quem vive com bipolaridade é feita de batalhas invisíveis. São lutas internas que ninguém vê, mas que exigem força, resiliência e, principalmente, muita compaixão consigo mesma. Nem sempre é fácil pedir ajuda. Nem sempre é simples explicar que o silêncio, o cansaço ou a falta de ânimo não têm nada a ver com desistência ou falta de vontade — são apenas parte de uma condição que precisa ser respeitad...

Você não está parada. Você está sustentando uma infância."

  Você não está parada. Você está sustentando uma infância." Essa frase o ChatGPT escreveu pra mim depois que eu desabafei sobre as dificuldades de ser mãe em tempo integral, sem rede de apoio. E eu confesso: ela me impactou profundamente. É grandioso o que uma mãe faz por um filho — mas, infelizmente, nem sempre é visto ou valorizado como deveria. A primeira infância é uma fase repleta de aprendizados. Para que uma criança se desenvolva bem, ela precisa de suporte. Precisa de alguém que seja sua base, que esteja disponível para cuidar, orientar e garantir suas necessidades básicas. E, na maioria das vezes, essa pessoa é a mãe. A mãe que abdica de trabalhar fora para cuidar do filho não está parada. Ela está sustentando a fase mais importante da vida dele — aquela que irá influenciar toda a sua vida adulta. A mãe que fica em casa, cuidando dos afazeres domésticos, do dever de casa, da rotina do lar, não está parada. Ela está assumindo tarefas importantíssimas que ninguém mais fari...

30 anos, a idade do sucesso.

 Dizem que 30 anos é a idade do sucesso. Mas o que é considerado sucesso para uns pode não ser considerado sucesso para outros. Eu já vi gente ficar frustrado porque a vida do outro parece ser mais legal. Eu já vi gente ficar depressiva porque não tem a vida instagramavel que muitos postam na rede social. Mas afinal, o que é sucesso pra você? E pra mim? Eu tenho 33 anos e não tenho minha casa própria, nem carro. Também não tenho uma profissão bem sucedida e nunca fiz uma viagem internacional. Pra muitos isso pode ser considerado um fracasso. Pra mim o sucesso vai além dos padrões convencionais: Aos 23 anos eu tive a sorte de me casar com o amor da minha vida. Alguém que me compreende, me completa e me faz feliz. Aos 24 anos me formei em uma graduação que não me deu retorno financeiro (Publicidade e Propaganda) mas que me fez muito feliz enquanto a cursei.  Aos 27 anos me tornei mãe de um menininho lindo. É ele que me motiva todos os dias a jamais desistir. Eu tive o privilégio...