Pular para o conteúdo principal

A maternidade me desconstruiu

Eu que sempre fui ansiosa, tive que aguardar 9 meses de gestação para te conhecer; Eu que sempre fui agitada, tive que aprender a ter calma para poder te ninar e fazer você dormir; Eu que sempre fui imediatista, tive que aprender que nada acontece pra já quando temos um bebê; Eu que sempre falava alto, tive que aprender a falar baixinho para não te acordar; Eu que sempre fui impulsiva, tive que aprender a ser pacífica quando o mundo parece que vai acabar pra você quando recebe um não; Eu que sempre sabia o que fazer, tive que aprender que o que sei hoje sobre seu sono, sua alimentação ou qualquer outra coisa relacionada a você, talvez  não sirva para o dia de amanhã; Eu que sempre fui impaciente, tive que aprender a ter paciência quando você tem seus ataques de birra; Eu que sempre fui medrosa, tive que enfrentar meus medos para poder encorajar você; Eu que sempre fui resistente à mudanças, tive que aprender a me adequar a cada mudança sua, que acontece na velocidade da luz; Eu tinha tantas “certezas” antes de você nascer, hoje percebo que elas  já não fazem mais parte de mim. A cada nova etapa dessa nossa relação mãe e filho eu desconheço algumas atitudes do meu eu antes de você nascer, e reconheço novos comportamentos meus que  há alguns anos atrás eu jamais acreditaria que eu pudesse mudar. Como pode um serzinho tão pequeno ter me transformado tanto assim? A verdade é que eu me permito ser transformada por você todos os dias,  para que nós conheçamos a minha melhor versão, que continua em construção, ou seria desconstrução?







Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Bipolaridade na maternidade

  A maternidade é intensa. Ela é cheia de emoções que se misturam todos os dias. Quando se é mãe e também se convive com a bipolaridade essa jornada ganha ainda mais desafios. Existem dias em que a energia transborda: a criatividade, o carinho, a disposição para brincar e estar presente parecem infinitos. Em outros, levantar da cama já é uma grande vitória. Essas oscilações não significam falta de amor pelo filho, muito pelo contrário: cada esforço silencioso, cada pequeno gesto, cada tentativa em meio ao cansaço e à dor são provas diárias de um amor imenso e corajoso. A maternidade para quem vive com bipolaridade é feita de batalhas invisíveis. São lutas internas que ninguém vê, mas que exigem força, resiliência e, principalmente, muita compaixão consigo mesma. Nem sempre é fácil pedir ajuda. Nem sempre é simples explicar que o silêncio, o cansaço ou a falta de ânimo não têm nada a ver com desistência ou falta de vontade — são apenas parte de uma condição que precisa ser respeitad...

Você não está parada. Você está sustentando uma infância."

  Você não está parada. Você está sustentando uma infância." Essa frase o ChatGPT escreveu pra mim depois que eu desabafei sobre as dificuldades de ser mãe em tempo integral, sem rede de apoio. E eu confesso: ela me impactou profundamente. É grandioso o que uma mãe faz por um filho — mas, infelizmente, nem sempre é visto ou valorizado como deveria. A primeira infância é uma fase repleta de aprendizados. Para que uma criança se desenvolva bem, ela precisa de suporte. Precisa de alguém que seja sua base, que esteja disponível para cuidar, orientar e garantir suas necessidades básicas. E, na maioria das vezes, essa pessoa é a mãe. A mãe que abdica de trabalhar fora para cuidar do filho não está parada. Ela está sustentando a fase mais importante da vida dele — aquela que irá influenciar toda a sua vida adulta. A mãe que fica em casa, cuidando dos afazeres domésticos, do dever de casa, da rotina do lar, não está parada. Ela está assumindo tarefas importantíssimas que ninguém mais fari...

30 anos, a idade do sucesso.

 Dizem que 30 anos é a idade do sucesso. Mas o que é considerado sucesso para uns pode não ser considerado sucesso para outros. Eu já vi gente ficar frustrado porque a vida do outro parece ser mais legal. Eu já vi gente ficar depressiva porque não tem a vida instagramavel que muitos postam na rede social. Mas afinal, o que é sucesso pra você? E pra mim? Eu tenho 33 anos e não tenho minha casa própria, nem carro. Também não tenho uma profissão bem sucedida e nunca fiz uma viagem internacional. Pra muitos isso pode ser considerado um fracasso. Pra mim o sucesso vai além dos padrões convencionais: Aos 23 anos eu tive a sorte de me casar com o amor da minha vida. Alguém que me compreende, me completa e me faz feliz. Aos 24 anos me formei em uma graduação que não me deu retorno financeiro (Publicidade e Propaganda) mas que me fez muito feliz enquanto a cursei.  Aos 27 anos me tornei mãe de um menininho lindo. É ele que me motiva todos os dias a jamais desistir. Eu tive o privilégio...