Pular para o conteúdo principal

"Você não tem cara de quem vai aguentar um parto normal"

    Eu sempre achei lindo parto normal, em como a natureza é perfeita em fazer com que mãe e filho juntos se esforcem pra esse lindo encontro, mas também sempre tive muito medo de como seria esse processo.

  Durante todo o meu Pré Natal eu tentava formar uma opinião sobre  qual decisão eu acharia melhor tomar, normal ou cesariana? Eu me fiz essa pergunta todos os dias durante os 9 meses de gestação,  avaliei prós e contras de ambos tipos de parto, mas não conseguia ter convicção do que realmente queria.

  E essa era uma das perguntas mais frequentes que eu ouvia: Quando nasce o seu bebê? Já tem data de parto agendado? Vai ser normal ou cesariana? A minha resposta era: “Vou esperar o dia que o bebê quiser chegar e no dia saberemos, quem sabe seja normal, ou talvez cesariana.”

   Até que um dia eu ouvi a seguinte frase: "Você não tem cara de que vai aguentar parto normal".

   Fiquei sem palavras e sem reação ao ouvir isso, desconversei e não falei nada sobre esta colocação com a pessoa. Mas essa frase não saiu da minha cabeça por um bom tempo. Como que é a cara que precisa ter para um parto normal? Inúmeros questionamentos ficaram na minha mente, e ouvir isso não me ajudou em nada na minha insegurança já existente, muito pelo contrário.

  Enfim, o meu filho nasceu através de uma cesariana. Fiquei muito feliz é claro e acredito que as coisas aconteceram como deveriam ter sido, mas me peguei sentindo culpa por não ter "conseguido" o tão sonhado parto normal, com a sensação de que não fui "forte" o suficiente.

    Não existe certo nem errado, não é porque a mãe fez cesariana que ela não é capaz,  ou não é porque ela fez parto normal que ela é louca em querer "sofrer". Cada mulher é única, cada parto é único, e cada mãe possui o direito de escolher aquilo que é melhor pra si sem que haja julgamentos de terceiros.

    Talvez a pessoa não se deu conta do que disse e o impacto que isso pode ter causado lá atrás. Longe de mim querer julgar quem disse isso, esta não é minha intenção, mas tem coisas que não precisam ser ditas e sim guardadas para si.

    Que nós possamos através de palavras de ânimo e sabedoria impactar a vida do próximo  positivamente, seja ele quem for.

Texto:  @giselesertao @afagodemaeoficial 







Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Você não está parada. Você está sustentando uma infância."

  Você não está parada. Você está sustentando uma infância." Essa frase o ChatGPT escreveu pra mim depois que eu desabafei sobre as dificuldades de ser mãe em tempo integral, sem rede de apoio. E eu confesso: ela me impactou profundamente. É grandioso o que uma mãe faz por um filho — mas, infelizmente, nem sempre é visto ou valorizado como deveria. A primeira infância é uma fase repleta de aprendizados. Para que uma criança se desenvolva bem, ela precisa de suporte. Precisa de alguém que seja sua base, que esteja disponível para cuidar, orientar e garantir suas necessidades básicas. E, na maioria das vezes, essa pessoa é a mãe. A mãe que abdica de trabalhar fora para cuidar do filho não está parada. Ela está sustentando a fase mais importante da vida dele — aquela que irá influenciar toda a sua vida adulta. A mãe que fica em casa, cuidando dos afazeres domésticos, do dever de casa, da rotina do lar, não está parada. Ela está assumindo tarefas importantíssimas que ninguém mais fari...

Bipolaridade na maternidade

  A maternidade é intensa. Ela é cheia de emoções que se misturam todos os dias. Quando se é mãe e também se convive com a bipolaridade essa jornada ganha ainda mais desafios. Existem dias em que a energia transborda: a criatividade, o carinho, a disposição para brincar e estar presente parecem infinitos. Em outros, levantar da cama já é uma grande vitória. Essas oscilações não significam falta de amor pelo filho, muito pelo contrário: cada esforço silencioso, cada pequeno gesto, cada tentativa em meio ao cansaço e à dor são provas diárias de um amor imenso e corajoso. A maternidade para quem vive com bipolaridade é feita de batalhas invisíveis. São lutas internas que ninguém vê, mas que exigem força, resiliência e, principalmente, muita compaixão consigo mesma. Nem sempre é fácil pedir ajuda. Nem sempre é simples explicar que o silêncio, o cansaço ou a falta de ânimo não têm nada a ver com desistência ou falta de vontade — são apenas parte de uma condição que precisa ser respeitad...

Livro: Quando nasce a mãe

     Neste livro, Vanessa reúne 16 histórias de mulheres comuns que nascem mães. Segundo a autora, o nascer de uma mãe é como o desabrochar de uma borboleta: “ A mulher entra sozinha no casulo. Ela consigo mesma. Ali, a mãe é gestada. Gestada a partir da mulher. Mulher e mãe coabitam.”      Cada história relatada possui a sua particularidade de encontro com a maternidade, porém também há similaridade dessas histórias e tantas outras  mulheres que nascem mães: o medo pelo desconhecido, a incerteza da carreira profissional, o desafio de ser mãe solo, os riscos que envolvem um parto prematuro,  a perda de um bebê, a espera pela adoção, entre tantas outras experiências que são vividas por mulheres que desabrocham para a maternidade, assim como a lagarta vira borboleta e precisa sair do seu casulo.      Uma leitura leve e envolvente  que te fará sentir empatia e sororidade por cada mãe que nasceu, seja a partir dos relatos dest...